domingo, 22 de dezembro de 2013

Aspectos econômicos, políticos e culturais que levaram os países industriais a dividirem o mundo em coloniais e áreas de influência no período entre 1875 e 1914




Entre os anos de 1875 e 1914 há um surgimento de um tipo específico de Império. Cria-se uma dinâmica que vai interligar por laços firmes o centro do capitalismo e as outras áreas, havendo uma questão puramente de dominação. Hobsbawm quer então encontrar nexos para esse evento que “estava na boca do mundo”.
O que auxiliou a Europa para tal domínio foi a exploração ultramarina, afinal os países capitalistas além de explorarem as matérias primas das colônias ainda tinham um mercado para comercializar seu produto final. Por isso a divisão do globo entre as potencias, tinha um caráter econômico. Outro fato que contribuiu para a expansão colonial foi a procura de mercado fazendo com que um certo número de economias desenvolvidas sentisse simultaneamente a necessidade de novos mercados.
Tais fatores fizeram com que esse novo imperialismo se tornasse um subproduto natural de uma economia internacional baseada na rivalidade entre várias economias industriais concorrentes, e “que foram intensificada pela pressão econômica ocorrida nos anos 1880” (p. 101)  Porém tais fatos não pode ser analisado apenas pelo âmbito econômico. 
Isso porque, os motivos econômicos que levaram os europeus à adquirirem territórios coloniais estão ligados diretamente com a ação política, como por exemplo o protecionismo, que nada mais é que um tipo de economia que opera com o auxilio político.
Por fim, no âmbito cultural o autor afirma que através do capitalismo o contato das potencias europeias com regiões longínquas do planeta se tornou intenso, e isso fez com que houvesse um choque e ao mesmo tempo uma troca de culturas, muito mais do colonizador com o colonizado. 

O papel da cultura na profunda clivagem entre o mundo dos alfabetizados e dos cultos e do mundo dos iletrados ao longo dos anos de 1800 e os vários critérios hierarquicos sociais


Após 1830, a partir da Europa, os movimentos a favor da revolução se dividiram, com isso surgiram os movimentos nacionalistas ditos como conscientes.  Tal movimento não era homogêneo porque dentre as classes existiam diferentes interesses. O que foi fundamental para que os interesses de uma classe, no caso da elite, prevalecesse foi a cultura.
Isso porque no século XIX começou-se a hierarquizar as culturas. Para isso contaram com o auxilio da ciência, que com seu discurso dito como científico diferenciava grupos humanos mais evoluídos (no caso os europeus) dos não evoluídos (por exemplo o caso da África) e com isso o conceito de ``raça`` também foi posto em estudo para definir quem eram os melhores, e piores.
Tal critério de ``evolução” foi fundamentada em áreas como a antropologia que tem como finalidade estudar o outro, e em teorias como as de Darwin (mesmo sendo contra a vontade do pesquisador) afirmando que só os mais aptos / fortes poderiam sobreviver.
Todas esse cientificismo, ajudou a dividir, afirmar e reafirmar questões que trouxessem benefícios para a burguesia. Afinal com tais discursos, ou melhor com tal ideologia dominante burguesa, conseguiu-se uma justificativa para as injustiças daquela sociedade, fazendo com que a diferença de uma pessoa rica e outra pobre ou o explorador e o explorado possam ser explicadas por meio da ciência. 

"Estranhos começos"


RESENHA DO CAPÍTULO “ ESTRANHOS COMEÇOS”,
DO LIVRO HISTÓRIA DA ARTE DE ERNST GOMBRICH

O pesquisador Ernst Gombrich nasceu em Viena no ano de 1909 e faleceu em Londres em 3 de novembro de 2001, aos 92 anos. Ele estudou na Theresianum e no Instituto de História da Arte na Universidade de Viena. Em seguida, trabalhou como assistente de pesquisa e colaborador com o curador do museu e analista freudiano Ernst Kris. Ingressou no Instituto Warburg em Londres, como um assistente de pesquisa em 1936 e durante a 2ª Guerra Mundial, ele foi contratado pela BBC como um Monitor de Rádio.
Além desses campos que Gombrich atuou, o pesquisador realizou obras de suma importância para o campo acadêmico, uma delas que corresponde a um dos empreendimentos literários melhor sucedidos é A História da Arte (1909). Prova dessa afirmação é que tal obra foi traduzida para várias línguas além de ter vendido milhões de exemplares em todas as partes do mundo.  No caso da edição brasileira, existem 654 páginas com muitas ilustrações das obras discutidas. 
Tais ilustrações facilitam o entendimento do texto além de nos possibilitar a aproximação com o mundo artístico. Gombrich tem a preocupação em não trazer apenas a ilustração para julgarmos esteticamente mas junto dela, existe um contexto, uma história e um método. Isso é um ponto de suma importância para o entendimento das diversas obras de arte.
Outro aspecto que auxilia o entendimento da obra é a sua estrutura. Uma das teses de Gombrich é de que não há Arte de forma abstrata mas a obra de artistas vinculados ao seu tempo. Assim,  os preconceitos devem ser abandonados e a Arte deve ser pensada como algo que muda e que teve valores diferentes em cada sociedade.  Desta forma é exatamente esse tempo que o autor meticulosamente dividiu e discutiu que faz  com que o texto se torne mais organizado e simples de entender a relação das obras artísticas com cada período histórico.
Um período cheio de tabus e preconceitos que foi desmistificado e discutido de uma forma brilhante por Gombrich está presente logo no primeiro capítulo de seu livro. Com um título provocativo: "Estranhos Começos – Povos pré-históricos e primitivos; América Antiga”, tal capítulo nos faz mergulhar neste mundo que pouco se sabe, afinal como na maioria das vezes é aprendido de forma errônea no colégio, tal período é considerado por muitos como época das trevas.
Essa visão limitada é logo refletida no início do capítulo. Segundo o autor o termo “primitivo” não deve ser entendido como algo anterior em uma escala evolutiva, afinal esses povos utilizaram as técnicas artísticas que consideraram necessárias, simples ou não,  para realizarem suas atividades artísticas.
Com isso, não cabe a nós julgar o artefato artístico apenas pelo conceito estético afinal como Gombrich afirma na introdução de seu livro: “O problema é que gostos e padrões de beleza variam muitíssimo.” (p. 20). Com isso conclui-se que para entender os povos pré-históricos e primitivos deve-se tomar muito cuidado com os julgamentos do que é considerado belo ou feio, arte ou não arte.
Isso porque os objetos artísticos criados pelos povos primitivos eram produzidos com objetivos específicos e não havia essa preocupação com a estética. Na maioria dos casos tais objetos tinham funções ritualísticas e religiosas, entretanto como o autor salienta tais objetos podem ser considerados como sendo uma primeira forma de escrita.
Para sustentar tal afirmação Gombrich discute vários exemplos como a  arte em totens dos índios americanos, esculturas maias e astecas e máscaras do Alasca com a finalidade de mostrar que em uma “simples” escultura ou totem continha em si uma grande narrativa, que é de suma importância para nossa historiografia
Graças a narrativa e as esculturas em madeira, ossos e pedras foi possível saber que muitas tribos celebravam festividades regulares, nas quais se vestiam como animais e como eles se movimentavam em danças solenes e rituais. Cada família tinha de fato suas próprias tradições e predileções.
Além desse fato pode-se observar que  as pinturas que retratavam figuras de bisões, touros, mamutes ou renas sob machados nas paredes das cavernas, em lugares praticamente inacessíveis, eram algum tipo de magia, uma forma de crer que aquela figura transporia algum poder.
Com isso, observa-se que este capítulo nos faz refletir sobre o que julgamos por arte. Afinal, após lê-lo nos perguntamos se não estamos mergulhados em uma tendência ao convencional, julgando por exemplo os povos pré históricos, primitivos e a américa Antiga como sendo inferiores ao que estamos acostumados a ver no nosso mundo.
Esse julgamento só faz com que tenhamos uma visão extremamente preconceituosa e cega diante do artefato artístico. Por isso que esta obra também é de suma importância para que possamos criar um senso crítico e reflexivo fundamentalmente de períodos com tantos tabus como os “estranhos começos”. 


GOMBRICH, E.H. A História da Arte. 16 edição. Trad. Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: LTC, 1999.